Imagens do animal na estatuária urbana europeia

Temos duas vertentes essenciais na observação da estatuária do animal. Uma é o animal relacionado com a figura humana, tendo neste caso sobretudo um papel significante ao nível dos atributos dessa mesma figura. Outra vertente é o animal como representação em si, dos seus atributos ou afirmando a identidade de uma localidade.

No primeira vertente, por exemplo o cavalo nas figuras equestres, denotam posição social e com frequência nobiliárquica. Quase todas as capitais têm as suas estátuas equestres. Utiliza-se sobretudo para reis e grandes generais.

A representação do animal junto da figura humana serve muitas vezes para evidenciar a bravura, o que notamos em Herkules und der erymantische Eber [IDE:202] em Berlim, do escultor Louis Tuaillon com data de 1967, que apresenta um homem a lutar com um javali; em Corriendo el Encierro [IDE:59] em Pamplona que representa as famosas Festas de S. Firmin com as largadas de touros, do escultor Rafael Huerta, modelada em 1991 e erigido em 1994 ou na Homenagem ao forcado [IDE:117] em Alcochete, Portugal, obra do escultor Sérgio Stikinni, datada de 1989, outra escultura taurina.

Também na literatura, a presença do animal reforça as qualidades humanas, como no conto do Capuchinho Vermelho, que ainda hoje emociona muitas crianças, ou no romance Quo-Vadis, do escritor polaco Henryk Sienkiewicz1 que muitos leitores comoveu na Polónia, após a sua publicação em 1896.

Na segunda vertente em que encontramos o animal representado sem a presença humana, evidenciando as suas características ou marcando uma localidade ou um tema, temos o cavalo e a vaca frísia, representados em Leeuwarden, o urso polar em Hammerfest, Noruega, diversas representações do urso em Berlim, o leão de Leipzig, o porco em Ebstorf ou o Elefante em Lund, na Suécia, a loba em La Louviére. De algumas destas imagens daremos conta neste ponto.

O animal aparece como um dispositivo de marcação simbólica em diferentes regiões físicas, políticas e culturais. A figura estatuária do animal que marca simbolicamente o espaço, conquista a adesão da comunidade em maior grau, consoante o grau do elemento identitário que evoca.

 

Porquinhos de Ebstorf

Os alemães comem muita carne de porco. Sobretudo na forma de transformados, onde se destacam as salsichas. São famosas as Bockwurst e podem encontrar-se em toda a Alemanha, aquecidas no vapor. Acompanham-se com “Senf, Brötchen und ein Bier” [mostarda, papo-seco e uma cervaja] ou então com “Kartoffelsalat”, a famosa salada de batatas frias com natas (Sahne), ou ainda com “Sauerkraut” (salada avinagrada de couve branca).

Foto 1: Três porquinhos em bronze IDE:130

Também em Portugal se come muita carne de porco. Os alentejanos têm fama de estar em primeiro lugar no seu consumo, na forma de chouriços e nos famosos toucinhos e presuntos. O consumo de carne de porco tem na Península Ibérica uma tradição milenar, sobretudo no território atribuído aos vetões, que vai de Trás-os-Montes a Ávila, em Espanha, onde são conhecidas as muitas representações deste animal, representações essas que denominamos de berrões1 no caso português e verrones no caso espanhol.

Este conjunto escultórico em Ebstorf [IDE:130] na região alemã de Niedersachsen, de carácter naturalista, muito diferente do estilo simbólico do sintetismo escultórico da cultura pós-megalítica, é também uma forma de marcar a presença deste animal no devir destas comunidades europeias.

Este conjunto de três porquinhos em bronze encontra-se em frente à Rathaus [Edifício da Câmara]. Foram oferecidos pelos fundadores da firma de produção de enchidos Müller’s Hausmacher- Wurstwaren / Hellmut Müller a propósito dos cinquenta anos do Geschäftsjubiläum [jubileu do negócio] 1949-1999.

Podemos, pois, considerar a representação porcina como um dispositivo identificador de hábitos alimentares e de costumes sócio-profissionais de uma parcela substancial da comunidade de europeus, ao lado da vaca, que além da carne, fornece o leite e derivados que se tornaram presença obrigatória em praticamente todas as mesas.

 

 

Het friesche paard

 

Foto 2: Het friesche paard, IDE:286, em Leeuwarden.

As terras frísias estendem-se ao Leste do Ijsselmeer e a Sudoeste do Waddenzee, dois mares separados pelo já referido Afsluitdijk, no Norte dos Países Baixos, passando pelo Norte da Baixa Saxónia alemã (Niedersachsen) e até ao Sudoeste da Dinamarca. A pequena distância das costas frísias e ao longo destas, viradas para o Mar do Norte, sucede-se um conjunto de ilhas em fila e fazendo com o continente um corredor que define vários pequenos mares, como o Waddenzee, na frísia neerlandesa. Distinguem-se três arquipélagos: as ilhas frísias do Oeste, neerlandesas, as illas frísias do Leste, alemãs, e as ilhas frísias do Norte, também alemãs, às quais se seguem um grupo de ilhas dinamarquesas.

Os habitantes frísios costumam preservar alguns dos seus costumes e valores tradicionais. Ainda se encontram traços linguísticos antigos comuns aos naturais das diversas regiões frísias, apesar das fronteiras linguísticas das administrações neerlandesa, alemã ou dinamarquesa1.

A cidade que registámos foi Leeuwarden, capital da Friesland, província frisia dos Países Baixos.

Leeuwarden é uma cidade muito bairrista, exibindo na estatuária vários dos seus símbolos, como o cavalo frísio, a vaca frísia e o jovem jogador de futebol2, também frísio.

Het friesche paard [o cavalo frísio] em Leeuwarden [IDE:286] é uma obra em bronze sobre pedra da autoria do escultor Auke Hettema, datada de 1981.

Apresenta uma placa afixada à obra onde se pode ler: «Het friesche paard ter gelegenheid van 100-jarige vestiging te Leeuwarden door koopmans koninklijke meelfabrieken B.V. aangeboden aan de stad op 15 mai 1981»3.

Em termos de dimensões e integração espacial segue as características da maior parte das obras neerlandesas em tecido urbano. Encontrando-se implantada numa praça, em dimensões naturais e sobre um plinto de pequena altura, numa zona de peões e ciclistas, torna-se muito próxima do transeunte, o que apela naturalmente à interacção directa com este.

Existem várias associações de amigos do cavalo frísio, as quais, do ponto de vista lúdico e histórico, contribuem para a preservação desta espécie equídea frísia mas também evocam a memória e a identidade da comunidade da zona da frísia holandesa. Assim, o funcionamento simbólico desta escultura enquadra-se na dimensão dos elementos de identidade da região, evocando na memória das pessoas laços afectivos com o património frísio.

1 Lembramos aqui que uma parte da frísia pertenceu à Dinamarca até à I Guerra Mundial (e as fronteiras só ficaram completamente definidas após a II Guerra Mundial), sendo que por acordos entre este país e a Alemanha ainda se pratica o ensino oficial do dinamarquês devido à relevância desta comunidade na actual zona frísia alemã. Deste modo, nota-se a homegeneidade cultural ainda presente na região que abarca actualmente três administrações políticas diferentes.

2 Também esta representação da infância poderia ter sido referida no respectivo ponto correspondente, como outro olhar sobre a criança e o futebol.

3 Tradução ad sensum: O cavalo frísio no estabelecimento dos seus 100 anos em Leeuwarden oferecido por comerciantes à cidade em 15 de Maio de 1981 pela associação de moinhos do reino (Koopmans Flour).

 

Onze moeder

Em Leeuwarden (Ljouwert em língua frísia) podemos encontrar Onze moeder [nossa mãe] [IDE: 288] mais conhecida pela expressão popular, possivelmente frísia, de “Us mêm”. È uma obra de 1954 modelada pelo escultor Gerardus Jan Adema.

Foto 3: “Us mêm”, IDE: 288

A Vaca, que aparece na estatuária em Malmö, Siegen, e no projecto globalista da Cow Parade, que atravessou muitas grandes cidades de todos os continentes, sobretudo na América do Norte e na Europa, evidencia costumes alimentares e culturais que se estendem a parte substancial do planeta. Consta que de todas as espécies, a vaca da região frísia está entre as de melhor qualidade, sendo a maior riqueza da região. Por isso os frísios neerlandeses a consideram sua mãe.

Também ao nível da estatuária“Us mêm” está entre as mais interessantes imagens da vaca. Trata-se de uma representação de elevado naturalismo, com a espécie de bovimo muito bem caracterizada, além da interessante expressão do seu olhar e da sua postura.

«Os neerlandeses amam as suas vacas. Uma sondagem realizada em 1995 revelou que 80% da população não consegue conceber uma paisagem sem vacas. Em Leeuwarden capital da província leiteira que é a Frísia, uma estátua representa uma vaca leiteira chamada “Us Mem”»1.

Assim, a representação escultórica da vaca frísia [IDE: 288] em Leeuwarden, frequentemente designada pelos locais por “nossa mãe” (“Onze moeder” ou “Us Mem”) nota que a conceptualização de base metafórica na representação linguística da vaca frísia vem suportar a importância que este animal assume na cultura holandesa, nas regiões dos prados.

De facto, este animal assume uma importância vital na economia da região através das actividades relacionadas com a produção de lacticínios, determinantes para a sobrevivência e riqueza desta zona dos Países Baixos. Portanto, é clara a metáfora da vaca frísia, ou seja a sua comparação com a mãe, símbolo de protecção e afectividade.

 

1 «Les Néerlandais aiment leurs vaches. Une enquête réalisée en 1995 révèlait que 80% de la population ne peuvent concevoir un paysage sans vaches. A Leeuwarden, capitale de la province laitière La Frise, une statue représente une vache laitière appelée “Us Mem” (notre mère).», em : http://www.ryc.be/fr/products/kaas/holland/nl_kaas2.htm,

 

Hirtenbrunnen

 

O conjunto escultórico Hirtenbrunnen [IDE: 481] é composto por três vacas, um bezerro, um cão e um pastor, integrados numa fonte ao nível dos peões.

Verificamos que a representação semio-linguística “Der Hirtenbrunnen”1 decorre a partir do elemento topográfico “fonte – Brunnen”. A construção semiótica e linguística (Hirtenbrunnen é uma palavra composta por Hirten – pastores, e Brunnen – fonte) denota a dimensão física e cultural na construção simbólica do significado.

Comprovamos, assim, a relação da forma-função enquanto elemento integrador das representações semio-linguísticas.

 

Foto 4: Hirtenbrunnen, IDE: 481, Siegen.

Hirtenbrunnen [Fonte dos Pastores], em Siegen, Alemanha, com data de 1985, é um conjunto escultórico em bronze da autoria do escultor Wolfgang Kreutter. Situa-se na Alte Poststraβe, antiga rua dos correios.

Embora a presença humana do pastor, cujos animais representados ajudam a marcar, este conjunto compõe-se de dois subconjuntos, sendo que pela sua presença, qualidade de representação e modelação, podemos perfeitamente individualizar o conjunto de três vacas, apresentado na imagem anterior.

Este conjunto é uma obra identitária, ilustrando as vivências ancestrais do trabalho pastorício nesta zona da Alemanha. É interessante a pastorícia ligada ao bovino, já que estamos mais habituados à mesma no âmbito do caprino e ovino.

—-

1 Tradução ad verbum: A fonte dos pastores.

 

 

Bärenbrunnen

Frequentemente, deparamo-nos com representações escultóricas de ursos em Berlim, o que reflecte notoriamente o facto de o urso ser o símbolo desta cidade e, portanto, estar presente na sua heráldica. Podemos nesta cidade encontrar várias imagens deste animal, que ao longo do tempo já originou muitas histórias e aventuras, algumas trágicas. È um animal que sempre esteve envolvido num certo clima de mistério.

 

Foto 5: Bärenbrunnen, IDE:387, Berlim.

A fonte dos ursos, Bärenbrunnen, [IDE:387] encontra-se em Berlim – Mitte e é uma obra escultórica em pedra vermelho rosada, tipo pórfiro ou alabastro, da autoria do escultor Hugo Lederer, erigida em 1928. No entanto, foi depois destruída durante a II Guerra Mundial e restaurada mais tarde, em 1958, por W. Sutkowski.

Apresenta quatro conjuntos de pequenas crias de urso, cada um destes no acto de brincar, o que torna o conjunto muito expressivo e do agrado dos mais novos.

Também os adultos ficam encantados com a expressividade destes pequenos ursos brincando.

O centro da composição é ocupado por um grande urso adulto, possivelmente uma fémea. O encanto causado por esta fonte de traços singelos, bem foi merecedor da sua reconstrução.

Contém as seguintes inscrições: « Prof. Hugo Lederer 1928 zerstört im 2. Weltkrieg restauriert 1958 von W. Sutkowski die Neugestaltung des Bären Brunnens wurde aus mitteln des Kulturfonds des Magistrats von Gross-Berlin ermöglicht.» [Prof. Hugo Lederer destruída na II Guerra Mundial restaurada em 1958 por W. Sutkowski A nova remodelação da Fonte dos Ursos foi possível através do fundo para a cultura da administração de Gross-Berlin].

 

 

Wappenbrunnen

Wappenbrunnen [fonte heráldica] também em Berlim – Mitte é um outro exemplo de estatuária do animal.

Apresenta um urso em cima de uma coluna segurando um emblema heráldico.

A obra escultórica Wappenbrunnen é mais uma escultura que assinala o urso como símbolo de Berlim estando presente na sua heráldica.

Para além do urso, esta fonte apresenta ainda o emblema da águia, inscrito num emblema que o urso segura com as suas patas dianteiras, o qual marca o símbolo da Alemanha.

Poderíamos inferir que o urso (Berlim) segura nas mãos a águia (Alemanha), donde poderia decorrer que Berlim segura simbolicamente a Alemanha, evidenciando a ligação desta cidade estado ao país federado.

Esta fonte encontra-se implantada no bairro mais antigo desta cidade, o qual está na origem da sua fundação. As grandes dimensões deste conjunto escultórico permitem que o mesmo seja visível num largo perímetro, realçando deste modo a sua presença neste bairro.

 

Foto 6: Wappenbrunnen, IDE: 373, Berlim – Mitte

Já o conjunto Bärenbrunnen destaca a dimensão lúdica e afável do urso ao representá-lo no domínio cognitivo da família. De facto, aquela representação do urso adulto com as suas crias numa fonte ao nível dos peões convida à interacção com a peça, em cujas bordas nos podemos sentar, e admirar as diversas brincadeiras.

O urso aqui representado, agachado e segurando o emblema junto ao corpo à semelhança das pessoas e em proximidade com elas, facto que denota a conceptualização do urso heráldico como simbolicamente “urso como um amigo e protector” da cidade.

Os seus autores são Gerhard Thieme, Hans-Joachim Kunsch e Stefan Kuschel.

A fonte tem cerca de quatro metros de diâmetro na base e a altura do tanque é de 1,70 m a partir da base, sendo que a altura total do complexo da fonte é de seis metros.

A base e as colunas são de pedra e a cobertura curva é de ferro forjado. A base da fonte é octogonal com três degraus. Em cada uma das oito faces, apresenta-se uma heráldica, em cujas bordas dos oito cantos se vislumbram umas folhas1.

Do centro da fonte ergue-se uma grande coluna no cimo da qual se encontra uma base quadrada com o urso, abraçando a heráldica com a águia. A fonte termina com uma copa de filigrana em ferro forjado. É uma obra relativamente recente, de 1987.

A copa de ferro forjado é da autoria de Hans-Joachim Kunsch e a corrente de bronze é de Stefan Kuschel. A fonte está implantada no bairro residencial mais antigo de Berlim, por forma a evocar a fundação da cidade.

Próximo, encontra-se um grande medalhão de bronze sobre cimento representando o selo da cidade. A placa memorial evocativa da cidade de Berlim, também de Gerhard Thieme, encontra-se à entrada da Nicolaikirche. Esta placa é de bronze e as suas dimensões são 2,20 m.

À volta deste selo da cidade encontra-se um texto que lembra o marquês Johann I. (1213-1266) e Otto III. (1215-1267), os quais atribuiram os privilégios comerciais a Berlim por volta de 12302.

 

1 BBL: (18/3/2008) – «Senatsverwaltung für Stadtentwicklung Württembergische Str. 6, 10707 Berlin», http://www.stadtentwicklung.berlin.de/;

http://www.stadtentwicklung.berlin.de/bauen/brunnen/de/mit/39.shtml.

 

 

Berliner Bär

 

Foto 7: Berliner Bär, IDE:369, Berlim Dreilinden.

Também nos deparamos com o urso de Berlim Berliner Bär em Dreilinden, na comarca berlinense de Zehlendorf, e em Spandau, zonas de entrada na cidade.

Esta escultura, particularmente interessante nas suas formas singelas situa-se perto do antigo posto de control de fronteira da zona de Berlim dos aliados chamado “Checkpoint Bravo”.

Não é facilmente acessível para se fotografar, já que se encontra entre duas pistas de uma das mais movimentadas vias de acesso à cidade. Apenas uma discreta saída para uma desactivada estação de serviço permite que alcancemos a figura. Depois de várias tentativas foi possível registar esta obra, claramente visível, mas por muito pouco tempo por quem passa junto da mesma em velocidades de autoestrada.

Existe uma cópia desta escultura na cidade de Dusseldórfia.

A escultura tem 85 centímetros de altura e está sobre um pedestal de granito com cerca de 2,50 metros.

É uma escultura da autoria de Renée Sintenis, datada de 1956.

Berliner Bär insere-se num conjunto que constitui uma área museológica protegida, onde encontramos Brückenhaus que tem por base o projecto do arquitecto Hans-Joachim Schröder dos anos 1969/ 70, as duas bombas de gasolina e a estação de serviço (agora desactivada) são uma obra do arquitecto Gerhard Rümmler1.

 

Foto 8: Urso de Berlim, FAP:2005, Spandau.

Também em Spandau, numa das entradas para o centro de Berlim registámos outro simpático urso que acolhe quem chega à cidade.

Assim, o urso funciona aqui também como o anfitrião que acolhe os visitantes à cidade. Este facto é evidente através da posição do animal como se estivesse acenando com as patas dianteiras em sinal de acolhimento.

 

 

1 Cf. Caspar. H. 2004. Fürsten, Helden, grosse Geister. Denkmalgeschichten aus der Mark Brandenburg Berlin-Brandenburg, p. 298.

 

 

Zwei Giraffen

 

 

Foto 9: Zwei Giraffen, IDE: 204, Berlim-Köpenick.

Ainda em Berlim, na comarca de Köpenick, encontramos Zwei Giraffen [Duas girafas], IDE: 204, uma representação escultórica de duas girafas, uma adulta e uma cria. Este conjunto escultórico situa-se no Schlosspark, um parque ajardinado junto ao Mügelsee, no qual podemos ainda observar outras obras escultóricas com representações relacionadas com o universo infantil, tais como crianças a brincar com uma tartaruga, e o pilha-galinhas (conto infantil), que já tivemos oportunidade de tratar antes.

Este conjunto escultórico faz lembrar a maternidade, apelando naturalmente à afectividade e interacção das crianças com a mesma, pois a figura mais pequena situa-se ao nível do chão e numa pose que espontaneamente convida as crianças a nela se sentarem. Trata-se mais uma vez de uma conceptualização ao nível da família, a qual tem por base uma comparação com a maternidade, tal como em Bärenbrunnen, a fonte dos ursos, que vimos anteriormente.

Estas Zwei Giraffen no Schlosspark são uma obra em bronze da autoria do escultor Hans Henning, com data de 1977. Contém ainda as seguintes inscrições: «Im Besitz des Bezirksamtes Köpenick von Berlin» [Propriedade da comarca de Köpenick em Berlim].

 

 

Os bois

 

Foto 10: Os bois, IDE: 340, Leiria.

Mais uma vez, notamos que a representação escultórica dos animais denota

grande afectividade e grande respeito. Eles são apresentados como um elemento fundamental na interacção do homem com o meio e como um elo afectivo e de cumplicidade com as crianças.

De facto, também nesta peça em bronze sobre pedra de Pedro Anjos Teixeira [IDE: 340], localizada em Leiria, Portugal, assinalamos não só a sua implantação num jardim público, tal como a obra Zwei Giraffen, perto da zona dedicada aos mais novos, mas também os versos em azulejos policromados com desenhos que narram o carácter simpático destes animais e a amizade que se nutre por eles bem como as actividades agrícolas possíveis devido ao trabalho dos bois.

Talvez a riqueza do bovino na Península Ibérica estivesse tradicionalmente mais ligada à utilização da força do boi nos trabalhos da lavoura do que na utilização massiva da vaca, para fins alimentares, possa contribuir para explicar por que nesta região do Sudoeste europeu este seja consideravelmente mais representado nas artes do que a vaca, como sucede no Centro e Norte europeu.

Esta graciosa escultura datada de 1948 e representando uma parelha de bois de trabalho apresenta as inscrições com carácter literário pintadas sobre painéis de azulejo com desenhos de motivos campestres. Nestas incrições podemos ler: «Os bois! Fortes e mansos, os boizinhos – leões com corações de passarinhos! Os bois! Os grandes bois êsses gigantes, tão amigos, tão úteis, tão possantes!» e «Sem as suas fadigas e canseiras não teriam florido as sementeiras! Sem a sua força, sem a sua dor, não estava rindo a terra toda em flor!». As legendas, como aforismos ao trabalho, serão também da autoria do escultor, que se dedicou também à escrita, nas suas várias formas e nos brindou com dois interessantíssimos livrinhos que de forma muito realista descrevem a vida nos campos, numa linguagem de conto infantil.

Esta graciosa composição no Parque da Cidade ou Parque Tenente Coronel Jaime Filipe da Fonseca, de dimensões intimistas, compõem um conjunto de quatro peças, sendo que as restantes três representam um sapo jardineiro, um burro com alforges e um cão.

As inscrições encontram-se nos azulejos do plinto, os quais são policromados. A escultura está assinada: Anjos Teixeira Filho.

 

Perro de Burgos

Foto 11: Perro perdiguero de Burgos, IDE:400, Burgos.

Pelas inscrições: «MONUMENTO ERIGIDO POR SUSCRIPCION POPULAR ENTRE LOS CAZADORES DE ESPAÑA Y ENTUSIASTAS DEL PERRO PERDIGUERO DE BURGOS NUESTRO LEAL COMPAÑERO 30.01.2001», notamos a importância desta espécie canina para os caçadores da região de Burgos em Espanha. Notamos também a principal virtude do Perro de burgos como “leal companheiro”.

Este Perro perdiguero de Burgos [IDE:400] é uma estátua em tamanho natural, vazada em bronze e erigida sobre plinto em granito é uma obra da autoria do escultor Bruno Cuevas, datada de 2001.

Todas estas imagens europeias do animal, são peças únicas neste espaço geográfico, sendo que a maior parte das mesmas, são obras de grande qualidade e simbolismo, efectuadas com grande sensibilidade.

 

Javali

Foto 12: Javali, IDE:193, Weibersbrunn.

Também esta imagem do javali, assinalando que a região envolvente da localidade alemã de Weibersbrunn, no estado da Baviera, já foi muito povoada por esta espécie, está modelada com elevado realismo e colocada de forma muito natural sobre um conjunto de pedras comuns da região. Está situada numa estação de serviço, Aral Tankstelle Weibersbrunn, na direcção Frankfurt-Würzburg, nas proximidades da localidade referida.

Esta representação naturalista de um javali [IDE:193] é uma obra em bronze do escultor A. Boucher.

 

Sapo

Foto 13: Sapo, IDE:248, Willich.

Esta escultura do Sapo [IDE:248] encontra-se na Rasthof Bat Cloerbruch Nord-Willich, também uma estação de serviço, na área da localidade alemã de Willich, na A52, na direcção Düsseldorf-Roermond.

Esta localidade na região Nordrhein-Westfalen encontra-se próxima da fronteira com o Limburgo, região do Sul dos Países Baixos.

A figura, muito expressiva, está modelada em cimento sobre uma base quase cúbica e apresenta na base os elementos decorativos de folhas e uns caracóis. Está assinada “JP” e não está datada.

 

La chevre

Foto 14: La chevre, IDE:497, em Genève.

La chevre [IDE:497] em Genève, na Suiça, é uma escultura em bronze sobre pedra, da autoria do escultor Heinz Schwarz, datada de 1960.

Situa-se no Parc de Geisendorf perto da Preau Ecole de Geisendorf.

Apresenta uma modelação muito expressiva quanto aos valores tácteis, na criação de elementos rítmicos de superfície na obra.

Também a pose muito expressiva e significativa nos revelam uma peça única e de grande qualidade plástica, cuja fundição mostra uma boa liga de bronze, nos tons cromáticos e ao toque.

 

La Louve

Foto 15: la Louve, IDE:392, La Louvière.

Em La Louvière na região da Valónia, Bélgica, encontramos uma loba, La Louve [IDE:392], muito semelhante à loba do Capitólio, no entanto não apresenta os gémeos.

La Louvière considera ter a mesma origem de Roma.

A presença desta estátua urbana na cidade La Louvière e no local Place de La Louve denota a sua importância enquanto símbolo identitário da comunidade local.

Ao contrário da loba capitolina, enquanto escultura concreta, em bronze, não está envolta em mistério. Sabe-se quem foi o seu autor, o escultor belga Darville de Charleroi, bem como a sua data, 1953.

Como podemos observar na imagem, encontra-se bem elevada sobre uma base suportada por duas colunas da autoria do arquitecto Depelsemaire1.

Podemos também observar na imagem um elemento quadrangular, que liga as duas colunas, sensivelmente a um terço da altura destas o qual contém o já mencionado relevo com «D’Jobri et D’Jobrette», na rúbrica relativa ao casal. Aqui encontram-se as inscrições: «Fête de Wallonie 1953 nos populaires D’Jobri et D’Jobrette», que assinalam uma festa valonesa no mesmo ano do levantamento da estátua, com a presença do famoso casal de comediantes.

O nome desta localidade e do local, ou seja as suas designações toponímicas, têm uma motivação cultural que se liga com a construção do significado associado a esta obra, que se manifesta ainda nos habitantes de La Louvière que são designados por “os lobos”.2

Também de acordo com a lenda da cidade, descobertas históricas contam que foi encontrada neste local uma loba amamentando uma criança (apenas uma). Esta era também uma região onde abundavam os lobos devido à densidade de florestas.

1 Cf. – 19/05/2008 – «Ville de La Louvière», http://www.lalouviere.be/(24.05.2008)

2 “Les habitants de La Louvière sont supernommés ‘Les loups’”, v. «Ville de La Louvière, Histoire» – http://www.lalouviere.be/ (08.2005).

 

Mais imagens do animal

Mencionamos ainda mais algumas representações do animal que também têm particularidades interessantes.

Em Lund na Suécia, encontramos uma representação do Elefante [IDE:105] em grandes dimensões, com a aparência de boneco de brincar, escultura em argamassa pintada de branco visando um público infantil, em frente ao Barn & Ungdoms Sjukhuset [hospital de crianças e jovens].

A interessante representação do equídeo, em palha, na localidade de Candé [IDE:64], já observado no segundo capítulo.

Através de documentos publicados na Internet foi-nos possível tomar conhecimento da imagem do Urso polar, em Hammerfest, Noruega. Esta imagem do animal funciona como um marcador meteorológico e geofísico do espaço: os gelos do ártico e o grande urso branco.

A estátua do urso polar situa-se na praça em frente da Câmara, e o “souvenir” de oferta aos turistas é um urso polar tal como nas cidades mais ao norte e peles de veado. Relacionado com o urso polar estão também no local a Antiga Sociedade Real do Urso Polar e o museu que esta dirige1.

Em Vitoria-Gasteiz, no País Basco espanhol podemos encontrar dois animais divertidos. De acordo com o espírito da cidade, trata-se de um corcodilo em bronze cujos patas dianteiras são mãos humanas e as traseiras pés humanos [IDE:440] e da escultura representando um hipopótamo comprido como um chouriço [IDE:441]. A reforçar esta identidade, encontra-se nesta cidade a estátua de «Celedón, espíritu de una ciudad» [IDE:436], representando Celedonio Alzola, um cidadão que em tempos idos descia com um guarda-chuva e animava as Fiestas de La Blanca en Vitoria.

 

 

 

1 Cena onde Lígia, filha de Vânio, rei dos suevos, perseguida por ser cristã é levada à arena, presa a um touro, que deve­ria despedaçá la e é o escravo Ursus, que salva a ama com a sua força assombrosa.

1 Ver: ALARCÃO, Jorge de; 1986, p. 65; PEREIRA, Paulo; 1995, p.66-67, VIEIRA, João Filipe, 2001, pp. 130-133 vol.1 e p. 58 vol. 2; MORENO, Eduardo Sánchez, s/d, De ganados, movimientos y contactos. Una nueva aproximación al debate sobre la trashumancia en la hispania antigua, http://www.ffil.uam.es/antigua/piberica/ganado/ganado1.html).

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Uma resposta a Imagens do animal na estatuária urbana europeia

  1. adorei ver as lindas estátuas dos animais…

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